After Darwin
Durante o fim de semana da última virada cultura em SP fui com minha esposa, após um longo hiato, ao teatro. Uma amiga atriz, que hoje integra o grupo Arte Ciência no Palco, nos convidou para a peça After Darwin. Foi covardia. Eu (e minha esposa) adoramos biologia, em especial a idéia da evolução batizada de darwinismo (embora Darwin não seja o único proponente desta idéia).
Já havíamos assistido uma peça (muito boa) deste mesmo grupo, antes que nossa amiga ingressasse nele, foi a peça Copenhagen, na qual os físicos Nils Bohr e Heisenberg em texto do dramaturgo Michael Frayn, imagina sobre o que os eminentes físicos teriam conversado na Copenhagen ocupada pelos nazistas em um encontro que realmente aconteceu em 1941 e cujo teor eles nunca revelaram. Heisenberg chefiava o projeto atômico alemão, Nils Bohr, que fora seu aluno, é um dos membros do projeto Manhatan, que criou as bombas atômicas que os americanos explodiram em cima dos japoneses no final da segunda guerra mundial.
Michael Frayn escreveu nessa peça um interessante diálogo onde surgem questões éticas, e o repentino poder que estava nas mãos dos físicos. Entre a política e a filosofia, eles também discute, nesta conversa, a física. E é aí, neste tipo de coisa, que mora a graça deste grupo de teatro. É interessante (e oportuno) ver a ciência em um palco, discutida como arte e como política. Isso a aproxima do mundo real e de como a ciência e a técnica são feitas de verdade.
Em After Darwin (a peça que assistimos) é narrada a viagem do Beagle e alguns dos anos subseqüentes à volta para a Inglaterra, quando Darwin publicara seu livro divisor de águas, A Origem das Espécies e Fitzroy (o capitão do Beagle) cometerá suicídio.
É um assunto fértil para a imaginação, muito se especulou sobre a viagem do Beagle. Com certeza, se sabe apenas, que para Darwin esta foi a viagem de uma vida, onde um jovem, recém formado pode formular uma das teorias científicas mais importantes de todos os tempos. O capitão Fitzroy convidou Darwin pois pretendia provar os fatos da bíblia, como o dilúvio, com as pesquisas do amigo naturalista. Não se sabe o que aconteceu na viagem, mas sem dúvida Fitzroy se decepcionou sobremaneira com Darwin. A peça trata dessas duas visões, esclarece aspectos em geral mal compreendidos da teoria de Darwin e faz uma reflexão sobre a natureza humana e a "sobrevivência dos mais aptos".
É uma peça longa, com muito texto, em alguns momentos pesada. Mas eu recomendo sem pestanejar, os atores estão muito bem em seus papéis. De fato recomendo as duas peças que assisti deste grupo After Darwin e Copenhagen.
Autora: Timberlake Wertenbaker
Tradução: Fernando Paz
Adaptação: Oswaldo Mendes
Direção: Rachel Araújo
Elenco: Carlos Palma, Oswaldo Mendes, Vera Kowalska
Onde: Auditório PUC Consolação,
Quando: Sexta e Sábado 21h | Domingo 19h
Ingressos: R$30 e R$15
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